Wednesday, June 20, 2007

"Who will save your soul If you don't save your own."

A segunda parte. Nesse 'capítulo' já se pode encontrar referências de realidade fazendo os pequenos contos fluirem para um único conto apenas. Paralelo a isto temos outra série de contos sendo criadas. Organizar tudo seria muito difícil. Quero opiniões, por favor, não é a toa que peço aos meus amigos para lerem.


"And I know its not right And I guess I should try To do what I should do"

Passava o dia todo atrás daquela mesa. Indo de papéis à sites e impressos e anotações à cartas e livros manuscritos. Desejava sempre a hora de voltar. Caminhava lentamente pelos corredores ignorando as pessoas até o seu ateliê e lá se trancava durante a tarde. Memórias eram jogadas nas telas. Memórias de sonhos, realidades impossíveis, desejos que ninguém sabia onde estavam. Perdia horas e mais horas e quase sempre se atrasava embora não houvesse quem percebia isso, exceto talvez o porteiro do prédio com quem nunca falva. O porteiro poderia pensar várias coisas, mas sempre saía só. Nunca ninguém junto. Nunca.

O velocímetro do carro que nunca passara dos 80km/h essa tarde chegou aos 140km/h. Queria chegar logo. O caminho também era um que nunca antes pegara. Auto estrada. No banco do passageiro alguns impressos daqueles que via na sua frente naquela mesa. Um e-mail carinhoso, um mapa do país comprado às pressas numa banca no meio do caminho, uma hidrográfica vermelha que traçou o caminho descrito no e-mail naquele mapa, Guia 4 Rodas atualizado para saber onde estariam os pedágios e postos policiais onde deveria desacelerar - não queria que nada atrazasse sua viagem, esperou muito até esse dia, trabalhou muito para poder fazer isso -, GPRS ligado e celular ao lado com antena extra par anão perder sinal em lugar algum do trajeto. Toda atenção para que não perdesse a ligação que esperava. Ela poderia mudar tudo, essa ligação, exceto a decisão de ir e ir. Seriam milhares de quilômetros atrás do volante. Milhares de quilômetros com o som do carro perto do último volume. Na carroceria lá atrás as malas, os presentes e os pertences de um sonho que estava só há algumas horas de realizar. Um sonho que buscou por meses, anos... E agora estava p´roximo de acontecer. Seu coração não cabia em seu peito e o sorriso misturava-se às lágrimas emocionadas, nada que lhe atrapalhasse de ver o caminho a sua frente, os outros carros, os caminhões, as curvas perigosas. Dirigia como um louco fugitivo. Talvez estivesse mesmo fugindo, fugindo de seu passado em busca do futuro promissor. Por mais que as frustrações pudessem vir, acreditava em si, tinha força e vontade mais doque suficiente. E tinha aqueles que apostavam em sua sorte e lhe tinham admiração. Mas fazia por si, não pelos outros. Era a sua viagem, seu sonho, sua realidade.

Monday, June 18, 2007

"Who will save your soul If you don't save your own."

Essa será uma estória longa, contada em várias partes. Ela começa aqui e não sei quantas outras partes mais terá. Será postada uma vez por semana no Flog e no correr da semana aqui nesse blog. Espero que gostem e comentem quem ler. Vocês poderiam até me ajudar com o desfecho.

"Stantind by the window, eyes upon the moon"

Havia tristeza naquele olhar além do brilho intenso de alegria sinuosa. O sorriso era constante. Na verdade, quando seus lábios se fechavam naturalmente estavam sorrindo. Espaço para lágrimas seus olhos sempre tiveram, porém o jogar de lado seus cabelos e pender a cabeça com aquele riso natural em sua boca era impossível dizer que chorava mesmo quando a maior tristeza se abatia sobre todos. Ela era o motivo de alegria daquele lugar. Certo que seriam felizes para sempre contanto que ela estivesse por perto para fazer suas palavras chegarem ao coração dele, ele nunca olhara de perto aqueles olhos que pediam para ver o luar e se aquecer sob as estrelas com o manto de rosas que caiam tão logo abriam-se naquele imenso jardim. Mas ela não pedia, nunca pedia nada porque não precisava pedir, apenas seu olhar denunciava o quela ela não tinha coragem de fazer. Sabia que não era presa ali, mas havia um bom calor vindo de suas memórias e ela esperava por ele para lhe sorrir e contar histórias. E ele a vinha ouvir. Ela escrevia. Escrevia durante o dia as histórias que lhe contaria a noite. Janelas fechadas durante o crepúsculo. Qual seria a cor do luar quando o céu tornara-se quase negro sem o brilho e calor intenso do sol? Esquentariam mesmo as estrelas como ela havia lido nos livros? Leu que elas cairiam e queimariam a todos. Se elas queimariam é porque são tão quentes quanto deveria o sol aquecer o seu coração. Mas sua paixão era o luar que entrava pelas frestas. Era o luar que não deixava o calor das estrelas esquentar a noite como o sol faz durante o dia todo. O luar pelo qual ela estava aficcionada. O luar que as vezes aparecia até mesmo de dia, pouco antes do sol ir embora, e ela o via e sorria. Aquelas noites eram as mais lindas para ela. Sonhava consigo dançando sob o luar. Em seus sonhos não tinham estrelas e nem o céu era tão escuro, nunca passava do crepúsculo. O sol sempre ficava por perto.

A porta se abriu lentamente e ela de um salto pos-se em pé com as mãos apoiadas sobre sua escrivaninha. A vento frio com a corrente vinda tremeu e apagoua chama da vela. Ele acendeu as luzes elétricas, não entendia o porque de ela forçar tanto assim seus olhos para enchergar na escuridão, mas para não sumir com o sorriso ele sempre comprava mais velas, coloridas, perfumadas, ele tentava agradá-la. Porém quando entra ele sempre acende as luzes. Ela não se importava. Ela caminhou até a janela. O sol ia sumir em pouco tempo e ela fechou ele lá, para sempre que abrisse a janela fosse dia, nunca noite. Assim seu sorriso sempre era alimentado e nunca drenado.